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terça-feira, 26 de abril de 2011

A metade do segundo

por Everton Luiz da Rocha Mossato

Não demonstrava impaciência nem nervosismo com o movimento à sua frente. Nesse mundo tudo é tão rápido, os carros quase voam, as pessoas sempre com pressa. Tudo é tão mecânico, o bom dia já não parece lhe desejar mais um dia bom de fato. Sem ter o que fazer apenas observava. Olhou as mãos rápidas da moça do caixa passar o cartão na máquina.

sábado, 10 de julho de 2010

Caolho não vê 3D

Pasmem companheiros, mas é verdade. Caolho não vê 3D. Pessoas com monovisão, ou qualquer tipo de problema para enxergar, como miopia por exemplo, não conseguem ver os efeitos do cinema em 3 dimensões, a grande febre do momento. Calma loiras, não tô falando de cegueira, é óbvio que eles não conseguem ver filmes, nem os normais, infelizmente. 


Mas o grande problema é a comunicação, ou a falta dela. Em lugar algum você encontra esse ‘detalhe’ característico desta 'nova tecnologia'. As pessoas pagam o ingresso e descobrem isso dentro da sessão. Por vezes coagidas pelos amigos se calam e vão embora, junto levam o prejuízo financeiro e a enorme interrogação: será que era isso que eu deveria ver? Se sim... que lixo! Mesmo as pessoas com simples problemas de visão, que usam óculos de grau, devem usá-lo junto com os óculos cedidos pelo cinema (se conseguirem), para estas pessoas também não há nenhum tipo de aviso.

Infelizmente há um enorme mercado para o cinema 3D, e a maioria das pessoas tem “os dois olhos funcionantes” e podem usufluir de tais efeitos e nutrir a indústria hollywoodiana numa nyce. Portanto não  há interesse algum, nem por parte da indústria do cinema, nem por parte da mídia gorda de informar essa pedra no sapato dos cinemas 3D, que infelizmente não são tão democráticos e nem um pouco francos com seus fiéis usuários. 

por Everton Mossato

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Shampoo X merda: A propaganda e o universo feminino.





O que a mulher moderna mais deseja é ter um cabelo lindo e cagar. Sim, cagar mesmo, cocô, merda, bosta... acho que já entenderam né. Pelo menos é esta impressão que os comerciais de televisão nos passam quanto à preferência do consumo feminino. Entre um programa e outro o que mais se vê são filmes que apresentam mulheres correndo atrás de privadas, iogurtes que prometem fazê-las ‘colocar os meninos pra nadar’ e por aí vai. Entre outras técnicas apelativas os comercias dão a garantia de que o cocô irá sair em alguns dias. E o melhor, se o iogurte não funcionar elas podem mandar os rótulos dos frasquinhos e serem ressarcidas de seu investimento. Agora me pergunto, não é meio constrangedor mandar uma carta dizendo: “mesmo com o seu delicioso iogurte ainda não consigo cagar”?


O interessante nessa ‘indústria de merda’, que promete tirar o indesejado bolo fecal de dentro de nossas princesas, é o desenvolvimento de uma linguagem específica para se comunicar de maneira sutil com o público alvo. Por exemplo: a palavra merda virou acumulo, o slogan é ABAIXO AO ACUMULO, ou seja: cague de uma vez!. É um eufemismo que consegue tirar o mau cheiro da semântica da palavra, incrível. E o que uma agência de publicidade não é capaz de fazer hoje em dia ein? Se bem que o próprio vocabulário feminino já é recheado de eufemismos por natureza. Quando uma mulher quer dizer à outra que está há alguns dias sem “ir ao banheiro” ela usa apenas uma singela frase: “Aí amiga, estou ressecada”. Já o homem falaria algo do tipo: “Porra véio, faz três dias que não dou um cagão”, sutil diferença né. Ainda tem o linguajar utilizado em outras microssociedades como no sistema carcerário: “Aí mano, faiz dois dia que eu não apavoro, tô na laje”, no caso apavoro seria cagar e laje seria uma situação incômoda.


Falei um pouco do desejo da mulher moderna quanto ao funcionamento do intestino grosso e delgado , mas acabei não falando do outro desejo feminino moderno segundo à publicidade: deixar seus cabelos lindos e sedosos. Isso é fato, é só observar a quantidade de propaganda de shampoo na programação da tevê. Não sei pra quê tanto cuidado com um tecido morto, é como maquiar um defunto. Não, peraí, não seremos tão radicais assim. É uma questão estética, assim como nas unhas. Impressionante a capacidade da mulher de dar um talento nos tecidos mortos, como unhas e cabelos. Elas poderiam ‘dar um talento’ no tecido morto no meio das pernas do marido de vez em quando também, mas isso é outra história. Voltando ao cabelo, até 50 anos atrás eu duvido que a humanidade sabia da existência de tantos tipos de cabelos, acho que só se fazia distinção óbvia do liso e do crespo. Mas a fabulosa indústria do marketing a serviço do consumismo conseguiu subdividir os tipos em cacheados, secos, normais, oleosos e por aí vai, sem falar na cor que também se subdivide em uma infinidade. Tudo isso dá margem à venda de inúmeros tipos de shampoo e condicionador. Mas pra quê? Só com água e um ou dois tipos de sabão já não deixa limpo?


É difícil entender este complexo universo dos desejos femininos. Bom, só espero que as mulheres dessa sociedade moderna guiadas pelo consumismo não misturem seus desejos e acabem criando um shampoo de bosta.

por Everton Mossato